
O irmão Longinos de Santa María é um monge exemplar, admirado por suas habilidades musicais e sua bondade. Ele serve no convento próximo a uma aldeia, onde é querido por todos. Em um dia de Natal, ao retornar da aldeia, percebe que seu caminho está diferente e, ao olhar para o céu, vê uma estrela dourada que o guia. Ele encontra três reis magos, que seguem a mesma estrela em direção ao presépio onde está o menino Jesus. Longinos, sentindo-se humilde e sem riquezas para oferecer, decide dar suas lágrimas e orações ao menino. Enquanto isso, no convento, a comunidade se preocupa com seu atraso, pois ele é essencial para a música da cerimônia. Quando o ofício começa, o órgão toca de forma extraordinária, como se fosse guiado por mãos celestiais, enchendo a capela com harmonias divinas. Longinos, após essa experiência mística, entrega sua alma a Deus, e seu corpo permanece incorrupto, sendo venerado na capela. A história destaca temas de humildade, devoção e a importância da música na espiritualidade, mostrando como o amor e a fé podem transformar o simples em algo sublime.
By Rubén Darío · First published 1905 · Genre: Religious Fiction, Fantasy, Literary Fiction · 1,625 words
O irmão Longinos de Santa María era a pérola do convento. Pérola é dizer pouco sobre ele; era uma raridade, uma riqueza, algo incomparável e inencontrável; ajudava ao doutor frei Benito em suas cópias distinguindo-se em ornar de maiúsculas os manuscritos, e na cozinha fazia exalar suaves odores da fritada permitida depois do período do jejum; tanto servia de sacristão como cultivava os legumes da horta; e nas matinais ou nas vésperas, sua linda voz de diretor do coro ressoava harmoniosamente sob o telhado da capela. Mas seu maior mérito consistia no seu maravilhoso dom musical, as suas mãos. Nas suas ilustres mãos de organista. Ninguém em toda a comunidade conhecia como ele aquele sonoro instrumento do qual fazia brotar as notas como revoadas de aves melodiosas; ninguém como ele acompanhava, como que possuído por um espírito celestial, as prosas e os hinos, e as vozes sagradas do cantochão. Sua iminência, o cardeal – que tinha visitado o convento num dia inesquecível – primeiro abencoou o irmão, abracando-o em seguida, e por fim disse a ele uma elogiosa frase latina, depois de ouvi-lo tocar. Tudo o que no irmão Longinos se destacava, se iluminava da mais amável simplicidade e da mais inocente alegria. Quando estava em algum trabalho, tinha sempre um hino nos lábios, como seus irmãos os passarinhos de Deus. E quando voltava com seu alforje cheio de esmolas, coiceando o burrinho suarento debaixo do sol, em seu rosto se via um tão doce resplendor de jovialidade que os camponeses saiam às portas de suas casas, saudando e chamando-o: "Ei! Venha cá, irmão Longinos, venha tomar um bom copo. ". Seu rosto pode ser visto num quadro que se conserva na abadia; sob uma testa nobre dois olhos humildes e escuros, o nariz um pouco levantado, numa ingênua expressão de picardia infantil, e na boca entreaberta, o mais bondoso dos sorrisos.
Conto De Natal is listed on Textopian as a short story by Rubén Darío, dated 1905 CE.
This source record anchors work identity, reading entry points, and catalog context for checking claims about the work.
Ficção · Natal · Infância · Magia · Fantasia · Realismo Mágico · Simbolismo · Alusão · Metáfora · Personagem · Desenvolvimento · Tema