A Federico García Lorca

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Sobre teu corpo, que há dez anos / se vem transfundindo em cravos / de rubra cor espanhola, / aqui estou para depositar / vergonha e lágrimas.

Vergonha de há tanto tempo / viveres - se morte é vida - / sob chão onde esporas tinem / e calcam a mais fina grama / e o pensamento mais fino / de amor, de justica e paz.

Lágrimas de noturno orvalho, / não de mágoa desiludida, / lágrimas que tão só destilam / desejo e ânsia e certeza / de que o dia amanhecerá.

(Amanhecerá.)

Esse claro dia espanhol, / composto na treva de hoje, / sobre teu túmulo há de abrir-se, / mostrando gloriosamente

- ao canto multiplicado / de guitarra, gitano e galo - / que para sempre viverão / os poetas martirizados.

(np)

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