Evocacão Mariana by Carlos Drummond de Andrade

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A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.

Havia poucas flores. Eram flores de horta.

Sob a luz fraca, na sombra esculpida / (quais as imagens e quais os fiéis? ) / ficávamos.

Do padre cansado o murmúrio de reza / subia às tábuas do forro, / batia no púlpito seco, / entranhava-se na onda, minúscula e forte, de incenso, / perdia-se.

Não, não se perdia.

Desatava-se do coro a música deliciosa / (que esperas ouvir à hora da morte, ou depois da morte, nas / [campinas do ar) / e dessa música surgiam meninas - a alvura mesma - / cantando.

De seu peso terrestre a nave libertada, / como do tempo atroz imunes nossas almas, / flutuávamos / no canto matinal, sobre a treva do vale.

(ce)

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