Perguntas by Carlos Drummond de Andrade — Read

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Numa incerta hora fria / perguntei ao fantasma / que forca nos prendia, / ele a mim, que presumo / estar livre de tudo, / eu a ele, gasoso, / todavia palpável / na sombra que projeta / sobre meu ser inteiro: / um ao outro, cativos / desse mesmo princípio / ou desse mesmo enigma / que distrai ou concentra / e renova e matiza, / prolongando-a no espaco, / uma angústia do tempo.

Perguntei-lhe em seguida / o segredo de nosso / convívio sem contato, / de estarmos ali quedos, / eu em face do espelho, / e o espelho devolvendo / uma diversa imagem, / mas sempre evocativa / do primeiro retrato / que compõe de si mesma / a alma predestinada / a um tipo de aventura / terrestre, cotidiana.

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