Explore "Soneto do Pássaro" by Carlos Drummond de Andrade on Textopian. Read with annotations and highlights.
Batem as asas? Rosa aberta, a saia / esculpe, no seu giro, o corpo leve.
Entre músculos suaves, uma alfaia, / selada, tremeluz à vista breve.
O que, mal percebido, se descreve / em termos de pelúcia ou de cambraia, / o que é fogo sutil, soprado em neve, / curva de coxa atlântica na praia, / vira mulher ou pássaro? No rosto, / essa mesma expressão aérea ou grave, / esse indeciso traco de sol-posto, / de fuga, que há no bico de uma ave.
O mais é jeito humano ou desumano, / conforme a inclinacão de meu engano.
(vpl)