Fraga E Sombra by Carlos Drummond de Andrade

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A sombra azul da tarde nos confrange.

Baixa, severa, a luz crepuscular.

Um sino toca, e não saber quem tange é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje / que sono e sonho ceifa devagar / mal se desenha, fino, ante a falange / das nuvens esquecidas de passar.

Os dois apenas, entre céu e terra, / sentimos o espetáculo do mundo, / feito de mar ausente e abstrata serra.

E calcamos em nós, sob o profundo / instinto de existir, outra mais pura / vontade de anular a criatura.

(ce)

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