CAPÍTULO 101
CAPÍTULO CI
CAPÍTULO 101Visible text2 paragraphs
Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos. Foi em 1865, uma tarde de marco, por sinal que chovia. Quando chegamos ao alto da Tijuca, onde era o nosso ninho de noivos, o céu recolheu a chuva e acendeu as estrelas, não só as já conhecidas, mas ainda as que só serão descobertas daqui a muitos séculos. Foi grande fineza e não foi única. São Pedro, que tem as chaves do céu, abriu-nos as portas dele, fez-nos entrar, e depois de tocar-nos com o báculo, recitou alguns versículos da sua primeira epístola: "As mulheres sejam sujeitas a seus maridos. Não seja o adorno delas o enfeite dos cabelos ricados ou as rendas de ouro, mas o homem que está escondido no coracão. Do mesmo modo, vós, maridos, coabitai com elas, tratando-as com honra, como a vasos mais fracos, e herdeiras convosco da graca da vida. "133.
Em seguida, fez sinal aos anjos, e eles entoaram um trecho do Cântico 134, tão concertadamente, que desmentiriam a hipótese do tenor italiano, se a execucão fosse na terra; mas era no céu. A música ia com o texto, como se houvessem nascido juntos, à maneira de uma ópera de Wagner . Depois, visitamos uma parte daquele lugar infinito. Descansa que não farei descricão alguma, nem a língua humana possui formas idôneas para tanto.
